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29 de mar de 2017

Estudos revelam que antidepressivos não funcionam em crianças e adolescentes

Uma meta-análise de estudos realizados sobre os efeitos de antidepressivos em crianças e adolescentes sugeriu que eles apresentam quase nenhum benefício quando comparados aos placebos.

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Uma meta-análise de estudos realizados sobre os efeitos de antidepressivos em crianças e adolescentes sugeriu que eles apresentam quase nenhum benefício quando comparados aos placebos.


“Algumas delas são reversão à média, outras não são nada mais do que placebos” – Reprodução
“Algumas delas são reversão à média, outras não são nada mais do que placebos” – Reprodução

Um único e pequeno benefício encontrado estava associado à fluoxetina, comercializada comoProzac, o que foi suficiente para abrir uma nova discussão. Os resultados vêm de encontro a uma pesquisa recente que mostrou que esses medicamentos estão associados a um aumento do risco de suicídio e agressividade nessa mesma faixa etária, segundo reportado pela IFLScience.

Segundo a pesquisadora Dr.ª Andrea Cipriani, da Universidade de Oxford, que analisou os estudos revisados em pares por especialistas, que indicavam o uso de antidepressivos em crianças e adolescentes com grave transtorno depressivo, “foram recrutados pacientes com resistência a tratamentos” sendo realizados 34 ensaios de 14 diferentes drogas em um total de 5.260 indivíduos.

Depois de qualificar as evidências obtidas, os autores do estudo afirmaram que somente a fluoxetina foi significantemente mais eficaz do que um placebo. “Ao considerar o perfil de risco e benefício dos antidepressivos no tratamento de transtornos depressivos agudos, essas drogas não parecem oferecer uma vantagem clara para crianças e adolescentes”, escreveram.

Drogas como imipramina, venlafaxina e duloxetina mostraram efeitos colaterais suficientes para considerar que seu uso frequente seja interrompido. Enquanto a venlafaxina teve uma forte associação a pensamentos suicidas, algumas das outras drogas não mostraram dados suficientes a esse ponto para emitir conclusões.

Há anos que um crescente corpo de pesquisadores, médicos e terapeutas tem manifestado uma certa preocupação na prescrição de fármacos inibidores seletivos da receptação de serotonina (ISRS) para pessoas cujo cérebro ainda está em desenvolvimento. Tratam-se de medicamentos caros para serem trazidos ao mercado, mas baratos de serem produzidos pela indústria farmacêutica, que recebe um enorme incentivo para expandir seu mercado. O que leva à prescrição desnecessária de medicamentos que não trazem quaisquer benefícios para a saúde.

Segundo o professor Jon Jureidini, da Universidade de Adelaide, na Austrália, em entrevista aoIFLScience, embora muitos jovens apresentem uma certa melhora após o uso de ISRS, essas drogas raramente são as verdadeiras responsáveis. 

“Algumas delas são reversão à média, outras não são nada mais do que placebos […] O fator de impacto maior é a relação com o terapeuta”, disse ele. “Se um médico consegue estabelecer esse relacionamento, isso pode ser mais do que suficiente para produzir a melhoria sem a prescrição de medicamentos”.

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