Na investigação, houve controvérsias, mas polícia trata caso como homicídio e ocultação de cadáver. Detalhes sobre o caso foram epassados, nesta sexta (24), pela Polícia Civil, no Recife.
Um homem de 36 anos foi preso, na quinta (23), em Paulista, no Grande Recife, por matar e abandonar o corpo do próprio pai, um deficiente físico de 56 anos.
Segundo a polícia, Rodrigo Gomes da Conceição, no dia 14 de abril deste ano, por volta das 6h, percorreu cinco quilômetros com o pai, Almir, na cadeira de rodas, e o jogou em um terreno de uma fábrica de cimentos, às margens da PE-001, no bairro de Maria Farinha, na cidade.
Os detalhes sobre o caso foram repassados, nesta sexta (24), pela delegada Talita Rates, Titular da Delegacia de Homicídios de Paulista, durante entrevista coletiva concedida na sede da Polícia Civil, no Recife.
De acordo com a delegada, ao longo da investigação, houve conflito de informações sobre a situação da vítima: se ele estava vivo ou morto quando foi retirado de casa na cadeira de rodas.
O filho afirmou para a polícia que tirou o pai de casa depois da morte. A própria família dele apontou a contradição e disse que Almir foi levado, ainda com vida, para o terreno onde foi jogado.
A polícia trata o caso como homicídio e ocultação de cadáver e Rodrigo Conceição vai responder, a princípio, por esses crimes.
As imagens divulgadas pela polícia mostram Rodrigo passando em uma via de Paulista com Almir na cadeira de rodas, em plena luz dia.
Investigação
Na entrevista, a delegada informou que as investigações começaram a partir do registro de um boletim de ocorrência sobre um corpo encontrado em uma região de mata às margens da PE-01, estrada que dá acesso à fábrica Poti, localizada no bairro de Maria Farinha.
“Com essa notícia crime, a nossa equipe de investigação passou a diligenciar. Nós conseguimos captar imagens de câmeras de segurança instaladas no decorrer do percurso que esse homem realizou, empurrando a cadeira de rodas com seu genitor desde sua residência até o local de Matagal, onde ele foi despejado”, afirmou a delegada.
Ainda segundo a delegada, a polícia encontrou testemunhas que visualizaram o momento em que ele passou com esse cadeirante. Também foi possível obter informações de que esse homem trabalhava em um mercadinho localizado em Maria Farinha, entregando água.
“Foi aí que nós conseguimos identificá-lo, localizá-lo e também interrogá-lo. Em seu interrogatório, esse homem confessou parcialmente a prática do crime, ao dizer que era sim ele, a pessoa que aparecia nas imagens de câmeras conduzindo esse cadeirante em direção ao matagal, ao dizer que era ele sim, que foi ele sim, que foi a pessoa que abandonou o pai ali naquela área”, acrescentou.
Controvérsias
A delegada Thalita disse também que Rodrigo alegou que “o pai já teria saído sem vida de casa”.
A policial observou que o filho também justificou a sua ação, dizendo que “não tinha dinheiro para arcar com as despesas do funeral”.
Na coletiva, a delegada afirmou que a polícia ouviu a companheira de Rodrigo, que afirmou que ele “teria retirado o pai de casa ainda com vida, respirando. E quando retirou esse genitor de casa, ele falou que estaria indo levar o pai para prestar socorro”.
Além disso, segundo a companheira, Rodrigo informou, ao voltar para casa, que “teria deixado o pai internado em uma casa de saúde”.
Diante disso, a polícia procurou parentes de Rodrigo, no Rio de janeiro, onde ele nasceu, e soube que ele praticava maus-tratos contra Almir.
“Recebemos até inclusive vídeos dos familiares onde mostram uma situação de maus tratos vivida por esse genitor praticada pelo filho. Com base nessas informa n representamos pela prisão temporária desse homem que foi deferida pela terceira vara criminal de Paulista e nossa equipe de investiga deu cumprimento a esse mandado de prisão”, declarou.
Mais investigações
A delegada disse, ainda, que as investigações continuam para a policia ter condições de elucidar o caso.
A polícia obteve informações de que Almir estava passando mal e debilitado quando aconteceu o fato.
A vítima sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), dias antes. Mesmo assim, o problema de saúde teria sido ignorado por Rodrigo.
Sobre os laudos médicos, a delegada afirmou que a polícia aguarda ainda documentos da perícia para saber se houve morte natural ou não.
Mesmo diante das controvérsias, Thalita afirmou que, por enquanto, a polícia trata o caso como se Almir tivesse deixado a casa com vida.
“Se ele saiu de casa com vida, o nosso entendimento até o momento é que se trata de homicídio”, observou.
Maus-tratos
A delegada declarou que o corpo foi encontrado com sinais de maus-tratos.
Thalita relatou que o cadáver estava “aparentemente emagrecido, com muitas escaras pelo corpo, mas sem nenhum sinal de violência”.
Almir, segundo a polícia, vivia com Rodrigo, com a companheira dele e com uma enteada, de 17 anos, que também foi ouvida.
“Por meio de escuta especializada, ela confirmou as declarações da companheira, de que ele tinha saído de casa com vida respirando, saiu dizendo que iria prestar socorro, porém, ao retornar, disse que tinha deixado esse pai internado numa casa de saúde’, afirmou a delegada. .
Para a delegada, é importante destacar que Rodrigo era o cuidador do pai, e por isso, tinha o dever de resguardar a saúde dele.
“Então, assim, essa atitude dele, tanto de omissão, quanto a ação de ter levado e abandonado um idoso, com sinais de maus tratos, com péssimo estado de saúde, ali, naquele ambiente, não tinha outra consequência a não ser a morte dele. Independente do laudo, dizer que se foi morte natural ou se tinha alguma causa externa, O fato é que ele, como garantidor, ele tinha o dever de manter a saúde do pai e não sair com vida e abandonar, que a consequência natural seria a morte”, declarou a delegada.



