Foi encerrada na noite de ontem (19 de dezembro de 2021) o 1° Festival Cultural de Solidão, Sertão de Pernambuco. O festival que aconteceu em dois dias, homenageou o saudoso Chico Fogueteiro.

Todos os contemplados pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Lei 14.017/20), estavam fazendo seus trabalhos ao vivo para as redes sociais e para o público presente, ontem (19), foi a noite de dança, música e audiovisual, os contemplados pela lei puderam mostrar os seus talentos, cantando, tocando ou dançando.

O Prefeito Djalma Alves e a primeira dama Irene Espinhara se fizeram presentes para compor a mesa ao lado do Secretário de Cultura Antônio Correia e os vereadores e demais secretários que vieram prestigiar as apresentações.

Além dos músicos individuais e audiovisual o grupo de Bacamarteiros se apresentaram dando início ao evento. O grupo de Xaxado Bandoleiros de Solidão apresentou o seu mais novo figurino e uma nova coreografia. O 1° Festival de Cultura foi realizado pela Secretaria de Cultura, Turismo e Juventude.

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Biografia completa do homenageado Chico Fogueteiro:

Chico Fogueteiro: um pai, um avô, um homem inesquecível.

Elias Joaquim do Nascimento nasceu em 07 de junho de 1942 na cidade de Solidão (PE). No auge da sua juventude conheceu Creusa Rodrigues, com quem se casou e teve 15 filhos, dos quais, infelizmente, 5 faleceram. Homem simples, íntegro e honesto, persistiu bravamente no cuidado para com sua família.

Trabalhando alugado, Elias criou seus 10 filhos, com amor, zelo, dedicação e sempre os guiando no caminho da educação, uma vez que, semianalfabeto, poucas portas se abriam para que pudesse ter uma vida mais digna em se tratando do sustento da família. Anos depois, começou a produzir sua própria arte. Uma cultura, que aos poucos, percorreu as cidades circunvizinhas.

Aos 19 anos, conheceu o Sr. Antônio Fogueteiro de Afogados da Ingazeira, e começou a desenvolver seus primeiros trabalhos como ajudante na fabricação de fogos. Tudo que fazia, chamava a atenção de Seu Antônio, pois Chico Trinchete, como antes era conhecido, era atencioso, proativo e muito criativo, e passou a ser chamado Chico Fogueteiro, ao iniciar, sozinho, suas primeiras apresentações, nas festividades, mostrando os vários festejos que havia articulado a partir de outros: balão, girândolas, bombas, roda de fogo com borboletas, fogos diferenciados, entre várias outras criações.

Assim nascia mais um grande fazedor de cultura, em Solidão, nas festividades tradicionais de toda região. O grandioso CHICO FOGUETEIRO.

Talvez, Elias Joaquim não seja um nome comum, pois, carinhosamente, seus amigos e conhecidos o chamavam de Chico Fogueteiro. Chico, que antes fora agricultor, passou a ser reverenciado como um dos melhores fogueteiros da região. Não tinha como negar. Por onde se caminhava o nome dele era familiar. “Ah, seu Chico?!, claro que eu conheço”. Até quando se escutava um estouro de fogo, o povo já dizia que era dos de Chico Fogueteiro! Pois soava diferente, era estrondoso, ressoava longe. E isso fazia a diferença, como ele mesmo dizia com muito amor pelo que fazia. Não foi à toa que o ele mesmo eternizou a frase: “Quer conhecer Chico Fogueteiro, ande o mundo…”

E não precisaríamos ir tão longe! Desde sua cidade natal, Solidão, até Tabira, passando por Boa Vista, Afogados, Silvestre, Cachoeira Grande, Água Branca, Juru, Princesa Isabel, etc… Chico Fogueteiro fez o seu nome por toda a redondeza. Não só por ser tornar um dos melhores, mas por seu carisma e simplicidade. Não tinha covardia com ninguém, não deixava ninguém na mão. Sempre cumpria com sua demanda. Muitos eram aos prefeitos que contratavam seus trabalhos. Até os missangueiros de Tabira tinham seus produtos a venda.

O tempo foi se passando: 10, 20, 30, 40 anos nessa labuta. A vida da família mudou. Uniu seu trabalho às demandas das cidades que ganhou força no meio religioso. Romeiros, visitantes e curiosos vinham e compravam sua produção. A alegria e descontração eram garantidas durante às festas tradicionais da nossa região. Muitas pessoas que apenas ouviam falar de seus feitos visitavam a residência para comprar os festejos e comprovar.

Chegou a hora da tão sonhada aposentadoria por idade (65 anos ele completou). Todos de casa já diziam que era para ele deixar a profissão. Assim o fez. Mas não por muito tempo. Voltou a produzir sua arte porque o povo pedia, seu amor à profissão pedia.  Ele adoecia quando não estava em seu cantinho produzindo. E continuou por mais 8 anos.

Porém, nem todos os capítulos da vida real são felizes. Em março de 2014, ele foi vítima de um acidente no seu lugar preferido: a tenda onde fazia suas obras. Era uma tarde de segunda-feira, onde preparava os festejos encomendados para a copa do mundo. E, Chico Fogueteiro deixou 10 filhos, 12 netos e, 5 bisnetos no dia 16 daquele mês.

Sobretudo, deixou seu legado: foi um homem admirado por todos e viveu momentos marcantes durante sua trajetória. Momentos esses que até hoje o povo lembra e que sua família guarda em fotos, no coração e nas contações de histórias.

Muitos só o conhecem como Chico Fogueteiro, mas Elias Joaquim foi um bom marido, um pai presente e um grande avô e bisavô. Por isso, a família, antes trinchete, e agora A Família de Chico Fogueteiro e Creuza Costureira, de coração aquecido e aguerrido, agradece, imensamente, essa linda homenagem, que condiz com tudo o foi feito por ele: A arte de fazer cultura!

QUER CONHECER CHICO FOGUETEIRO, ANDE O  MUNDO!!!