A alta de 0,64% na inflação em setembro, após aumento de 0,24% em agosto, foi puxada pelo encarecimento dos alimentos. O resultado, maior para o mês desde 2003, foi divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (9/10). No ano, a inflação acumula alta de 1,34% e de 3,14% considerando os últimos 12 meses.

O setor de alimentos e bebidas avançou 2,28% e impactou em 0,46% na formação do indicador do mês. As maiores variações foram o óleo de soja (27,54%) e o arroz (17,98%) – os dois produtos acumulam altas de 51,30% e 40,69%, respectivamente.

Para Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE, os aumentos nos preços do grão e do óleo estão relacionados ao câmbio e à demanda interna elevada, além do auxílio emergencial.

“O câmbio num patamar mais elevado estimula as exportações. Quando se exporta mais, reduz os produtos para o mercado doméstico e, com isso, temos uma alta nos preços. Outro fator é a demanda interna elevada, que, por conta dos programas de auxílio do governo, como o auxílio emergencial, tem ajudado a manter os preços num patamar elevado. No caso do grão de soja, temos ainda forte demanda da indústria de biodiesel”, afirmou Kislanov, por meio de nota.

Outros itens importantes da cesta básica também tiveram peso considerável para a alta na inflação, como o tomate (11,72%), o leite longa vida (6,01%) e as carnes (4,53%). Por outro lado, foram registradas quedas nos preços da cebola (-11,80%), batata-inglesa (-6,30%), alho (-4,54%) e frutas (-1,59%).

No setor de transportes, segundo que mais pesou no bolso do consumidor, houve aumento de 0,70%, a quarta alta mensal seguida. A gasolina, por sua vez, passou de alta de 3,22% em agosto para 1,95% em setembro, enquanto preços do óleo diesel e do etanol subiram 2,21% e 2,47%, respectivamente.

Outros cinco grupos também contribuíram para a alta do índice em setembro: artigos de residência (1,00%), habitação (0,37%), vestuário (0,37%), comunicação (0,15%) e despesas pessoais (0,09%). Entre as capitais, São Paulo (SP) foi a cidade que registrou o maior avanço na inflação, com 32,28%. A menor foi Rio Branco (AC), com 0,51%.

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