Primavera em Pernambuco pode ser mais seca e mais quente por conta do El Niño, diz Apac

El Niño pode agravar o aumento das temperaturas e diminuir ainda mais a umidade do ar, que pode chegar a 10% em algumas localidades de Pernambuco

O habitual aumento das temperaturas e diminuição da umidade relativa do ar durante a primavera em Pernambuco, que inicia em todo Hemisfério Sul às 21h05 desta terça-feira (22), pode ser agravado no Sertão e no Agreste do estado por conta da atuação do El Niño, que irá aumentar sua intensidade no decorrer da estação.

Com isso, segundo a meteorologista da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Edvânia Santos, o período do fim de setembro até o mês de novembro pode ter um agravamento no aumento da temperatura e na baixa umidade, principalmente no Sertão, onde a temperatura gira em torno de 35°C.

“Nesse período da primavera, que vai até o dia 21 de dezembro, é natural ter um ambiente mais seco e quente no estado. Mas ele pode se tornar ainda mais seco e mais quente por conta do El Niño. Isso acontece por causa do aumento de temperatura no Oceano Pacífico. Com isso, podemos ter uma umidade em torno de 10% em algumas localidades do estado”, explicou.

No último boletim da Apac, divulgado nesta segunda (21), a previsão indicava valores de umidade relativa do ar abaixo dos 25% até esta quarta (23), no Agreste, Sertão e no São Francisco pernambucano. Vale ressaltar que a porcentagem ideal da umidade é permanecer entre 40% e 70%.

Conforme explicou Edvânia, o El Niño está variando entre as categorias moderada e forte, com previsão de atingir a janela crítica até dezembro deste ano, quando serão observadas temperaturas 2°C acima da média.

A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para o Nordeste é que a região terá predomínio de déficit de chuvas e temperaturas do ar acima da média histórica, com alguns estados da região Nordeste podendo registrar valores próximos ou acima de 2°C acima da média climatológica.

Também são previstos possíveis volumes de chuva levemente acima da média em parte do setor Leste do Nordeste brasileiro, entre os estados do Rio Grande do Norte e Alagoas.

Impactos no Grande Recife e na Zona da Mata

Essa previsão fez com que, na última semana, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentasse um plano nacional de preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) contra os impactos do El Niño, estabelecendo o Recife como uma das nove novas bases regionais da Força Nacional do SUS no país.

Ainda de acordo com a meteorologista, na Região Metropolitana e na Zona da Mata do estado, as pessoas podem perceber o aumento da temperatura, mas não irão sofrer com a baixa umidade, por conta da proximidade com o Oceano Atlântico.

“Por estarem mais próximas ao oceano, isso traz umidade para essas cidades, chegando até a provocar pancadas de chuvas isoladas. Isso faz com que a população da Região Metropolitana e da Zona da Mata não sofra tanto com a umidade baixa, apesar da elevação da temperatura”, destacou Edvânia.

Cuidados com as altas temperaturas e baixa umidade

A meteorologista também destacou a importância da população ficar atenta ao site e perfis das redes sociais da Apac, para que seguir as orientações disponibilizadas pela agência, principalmente os idosos e as crianças, que são os mais impactados com o aumento da temperatura e a diminuição da umidade do ar.

Entre as dicas disponibilizadas pela Apac, estão:

  • Evitar exercícios físicos entre 10h e 15h
  • Beber bastante água
  • Usar protetor solar
  • Usar roupas mais leves.
  • Utilizar uma toalha molhada para tentar amenizar as consequências da baixa umidade

Risco de mais queimadas

Segundo Edvânia, durante a primavera é comum que não chova em algumas cidades do Sertão e do Agreste durante os meses de setembro, outubro e novembro. Com o ambiente mais seco, a propagação de queimadas, que na maioria das vezes são provocadas por ações humanas, pode se tornar um perigo para a vegetação da região.

“Muitos dos focos de queimadas são provocados pela ação humana, muitas vezes por conta de uma bituca de cigarro ou algumas atividades na agricultura. Então, a tendência é que esses incêndios aumentem, por conta de todo o ambiente seco e quente. O que pedimos é que as pessoas procurem orientações com os bombeiros e com a Defesa Civil das cidades para evitar que esse grande incêndio aconteça”, orientou a meteorologista.