A vida dos trabalhadores, que já estava difícil com a crise econômica e sem um plano efetivo do governo de Jair Bolsonaro, de retomada da economia e geração de emprego e renda, ficou ainda mais complicada com a pandemia do coronavírus (Covid-19). Um estudo feito pelo Instituto Locomotiva, aponta que somente em abril, mais de 91 milhões de brasileiros (58% da população brasileira) deixaram de pagar pelo menos uma conta, seja de luz e de água ou os boletos, o cartão de crédito e as prestações de financiamentos.

Entre março e abril, o número de brasileiros endividados pulou de 59 milhões para 91 milhões e quarenta mil. A média é de quatro contas em atraso e no topo da lista dos pagamentos que os brasileiros estão “deixando para depois”, aparecem também os carnês de lojas. Cerca de 46% dos entrevistados atrasaram o crediário. Na sequência vêm cheque especial e cartão de crédito, ambos com 37%. Já os empréstimos, boletos e alugueis têm, cada um, percentual de 36% de atraso.

A pandemia do coronavírus chegou ao Brasil durante uma das “mais longas crises econômicas da nossa história e encontrou uma população sem poupança e cada vez menos amparada pelos aparatos de proteção social”, explica o presidente do instituto, Renato Meirelles.

A pesquisa, ele diz, escancara consequências econômicas graves, em especial, a total falta de condição de grande parte da população em honrar suas contas. E quanto menor a renda do trabalhador, maior é endividamento com contas mais simples, do dia-a-dia, como água, luz, aluguel ou carnês, afirma.

No entanto, prossegue Meirelles, os mais ricos também estão recorrendo ao atraso de contas nesses tempos. De acordo com a pesquisa, nas classes A e B, os brasileiros estão postergando o pagamento do cartão de crédito, do cheque especial e de mensalidades escolares.

Mais de 91 milhões de brasileiros atrasaram pagamento de contas

Luz (e água) no fim do túnel?

De acordo com Renato Meirelles, a pesquisa projeta um cenário complicado para reversão do quando de inadimplência. “Há um número crescente de pessoas que já admitem que no próximo mês não conseguirão honrar todos os seus compromissos”.

De acordo com o presidente do Instituto Locomotiva, “luz, água e telefone, por mais essenciais que sejam, têm isenção ou redução de tarifas em alguns estados, juros baixos e um tempo maior antes que o serviço seja cortado”.

Por outro lado, o cartão de crédito, que tem alta taxa de juros e funciona como uma ‘boia de salvação’, deve liderar a retomada da adimplência, segundo Meirelles. Já as mensalidades deverão ser renegociadas no final do ano.

Internet e telefone como serviços essenciais

Famílias de baixa renda já estão livres de pagar conta de luz até o mês de junho. São os consumidores incluídos na Tarifa Social de Energia Elétrica, cujo consumo mensal é de até 220kw. Os cortes de fornecimento por falta de pagamento para demais consumidores também foi proibido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) durante o período da pandemia.

Renato Meirelles, no entanto, observa que há outros serviços que se tornam fundamentais durante o isolamento social.

“Durante o confinamento aumentou muito o uso de dados, seja para entretenimento, seja para informação, seja para as crianças continuarem estudando. Muitas famílias esperam que o governo e as empresas garantam o acesso a esse serviço que é considerado essencial para boa parte dos brasileiros”.

A pesquisa mostra que, atualmente, por causa da pandemia, 25% dos brasileiros estão inadimplentes com a internet e o telefone e que no mês de maio o número subirá para 30%. São os brasileiros que já preveem atrasar o pagamento. Outros 9%, disseram que não vão conseguir pagar a internet.

Meirelles chama atenção para um projeto que tramita no Senado que propõe incluir o acesso à internet entre os direitos fundamentais do cidadão.

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Aldenice Santos

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