Em geral, a varíola dos macacos, ou monkeypox, tem manifestações leves e se resolve de forma espontânea. Saiba reconhecer os sintomas.

No dia 26 de junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chamou de “preocupante” a situação da varíola dos macacos no Brasil. Nesta segunda (1/8), o Ministério da Saúde confirmou 1.369 casos, sendo 75% deles em São Paulo.

No país, a doença ainda não alcançou o status de epidemia, mas já é considerada um surto quando há aumento localizado do número de casos primeiro. De acordo com a OMS, o vírus monkeypox é transmitido principalmente por:

  • Contato com secreções respiratórias ao falar, tossir ou espirrar;
  • Contato físico próximo com pessoas contaminadas que apresentem sintomas;
  • Contato com lesões e fluidos corporais;
  • Contato com materiais de uso pessoal de alguém que está infectado, como roupa de banho, roupa de cama e talheres.

Além de conhecer as formas de contaminação, para se proteger e proteger as pessoas ao seu redor, é preciso também saber identificar os sintomas da varíola dos macacos. O dr. Antônio Bandeira, coordenador do serviço de Infectologia do Hospital Aeroporto, em Salvador, explica o ciclo da doença:

Incubação (sem sintomas)

“Você entrou em contato com alguém contaminado, tocou, abraçou. O material do vírus passou para você. Ele não vai causar a doença imediatamente. Esses vírus precisam ganhar uma ‘adaptação’, isto é, um tempo de incubação em que eles ganham acesso a toda a maquinaria da célula para poder infectá-las e se multiplicar”, afirma o infectologista.

Esse período dura entre 5 e 21 dias. Nessa janela de tempo, a doença não dá nenhum sinal e a pessoa continua vivendo sua vida normalmente, sem sintomas e sem eliminar o vírus.

Início dos sintomas

“A partir de um determinado ponto, seja ele no quinto dia, se for na forma mais precoce, ou no vigésimo primeiro dia, você vai começar a apresentar sintomas e contaminar outras pessoas”, destaca o dr. Bandeiras. Para a maioria dos pacientes, os sintomas aparecem entre o 7° e o 17° dia após o contágio.

É aí que começa a doença. Os sintomas clássicos são:

  • Febre acima de 38,5°C;
  • Fraqueza e mal-estar;
  • Dor de cabeça;
  • Inchaço e dor nos gânglios (principalmente atrás da orelha e atrás da cabeça).

Segundo o especialista, é muito frequente que, nesta fase, as pessoas confundam o quadro com a dengue ou uma virose comum. “É aquela sensação de ‘nossa, estou quebrado’”, diz.

Surgimento das lesões

Depois de um a três dias do início dos sintomas, começam a surgir lesões na pele. Elas aparecem na cabeça, na face e no pescoço, descem pelo tronco e chegam às extremidades em um processo que pode levar até 21 dias. O dr. Bandeiras descreve a evolução das feridas:

  1. Inicialmente, elas têm o aspecto de mordidas de mosquito;
  2. Depois, viram vesículas parecidas com aquelas causadas pela catapora;
  3. As lesões crescem juntas, ao mesmo tempo e seguindo o mesmo padrão;
  4. Formam uma espécie de umbigo no centro e vão escurecendo;
  5. Quando viram crostas, caem e são substituídas pela pele normal que está embaixo.

“Só no momento em que elas caem que você efetivamente não contamina mais ninguém e o ciclo da doença acabou”, afirma o infectologista.

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