A halitose, nome correto da disfunção, não está sempre ligada a desordens estomacais – Foto Reprodução

A halitose, nome correto da disfunção, não está sempre ligada a desordens estomacais – Foto Reprodução

O olfato é poderoso. É o sentido que mais ligamos a memórias e emoções. Imagine, no entanto, se essa lembrança for negativa, como um odor relacionado ao mau hálito. Pois é, para 40% da população brasileira esse risco é real. De acordo com a Associação Brasileira de Pesquisas dos Odores Bucais, quatro em cada dez pessoas por aqui sofrem desse problema.

Diferentemente do que se escuta, a halitose, nome correto da disfunção, não está sempre ligada a desordens estomacais. Na maior parte das vezes, entre 90 e 95% dos casos, o transtorno vem da cavidade bucal mesmo. Daí que o profissional mais indicado para avaliar e tratar a condição é o cirurgião-dentista.

As causas da halitose

Profissionais e pesquisadores já identificaram mais de 40 causas para o mau hálito. Já sabemos que a higiene bucal inadequada é um agravante para o problema, pois permite que restos de alimentos se acumulem entre os dentes, na língua e na gengiva. Essa concentração de resíduos faz com que as bactérias que já existem naturalmente na boca dissolvam as partículas de alimentos e, assim, liberem substâncias com forte odor.

A placa bacteriana que se forma naturalmente na boca, é outra condição que contribui para o mau hálito – Foto: Reprodução

A placa bacteriana que se forma naturalmente na boca, é outra condição que contribui para o mau hálito – Foto: Reprodução

Outro fator que acarreta halitose é a chamada saburra lingual, camada branco-amarelada que se deposita na superfície da língua. Formada por restos de comida, bactérias e células descamadas da boca, a saburra em si é um acontecimento normal. Só que, quando se acumula e permanece no fundo da língua, passa a representar uma encrenca. As bactérias presentes ali se aproveitarão dos resíduos alimentares e, durante esse processo, soltarão enxofre, um gás de cheiro intenso.

A placa bacteriana (ou biofilme), que se forma naturalmente na boca, é outra condição que contribui para o mau hálito. Daí a necessidade de removê-la frequentemente com a escovação e o uso do fio dental. Outros problemas que afetam a gengiva e os dentes, caso da periodontite, também são causa de halitose.

Tem mais uma situação que colabora para o surgimento do odor ruim: a boca seca. É que a saliva ajuda na remoção de partículas e resíduos na região. Essa característica pode ser causada pela utilização de alguns remédios, cigarro e até pelo fato de dormir com a boca aberta. Estresse, dietas restritivas e mudanças hormonais também concorrem a favor do mau hálito.

Apesar da grande quantidade de causas, o mau hálito pode ser evitado – Foto: Reprodução

Apesar da grande quantidade de causas, o mau hálito pode ser evitado – Foto: Reprodução

E o bafo matinal?

Ter mau hálito ao acordar é normal.

Isso ocorre por causa do jejum aliado à diminuição do fluxo de saliva que acontece normalmente durante o sono. No entanto, se após o café da manhã e a escovação dos dentes o odor persistir, é importante buscar ajuda profissional. A halitose pode estar na área.

Dá pra prevenir

Apesar da grande quantidade de causas, o mau hálito pode ser evitado. Conselhos como comer de três em três horas ajudam, pois o jejum prolongado tende a gerar um odor bucal ruim. Cuidados com a alimentação também são válidos: comidas muito salgadas, quentes ou condimentadas tornam a boca mais seca, cooperando com a situação. Nesse sentido, alimentos como alho, cebola, carne vermelha, frituras e refrigerantes também cobram moderação.

O álcool e o cigarro são outros fatores que contribuem para o ressecamento bucal e, portanto, devem ser mantidos a distância. No caso da bebida alcoólica, o problema acontece porque ela provoca uma grande descamação de células bucais, cheias de proteínas que se transformam em enxofre. Já o fumo, além de contribuir para a redução da saliva, costuma ter em sua composição derivados de enxofre. Ponto para o mau hálito.

Entre os aliados contra a halitose, vale destacar que alguns alimentos são de grande valia. O consumo de comidas fibrosas, como maçã e cenoura, ajuda, uma vez que que esses vegetais promovem uma limpeza entre os dentes e evitam o acúmulo de resíduos.

Infelizmente, muitas pessoas com mau hálito não o percebem – Foto: Reprodução

Infelizmente, muitas pessoas com mau hálito não o percebem – Foto: Reprodução

Na realidade, as recomendações para prevenir o mau hálito no dia a dia são simples: beber mais água e higienizar bem a boca. O consumo de líquidos abaixo do ideal cerca de 2 litros por dia faz com que as glândulas salivares não produzam a quantidade adequada de saliva, essencial no combate à halitose. Já com relação à higiene bucal, a dica é simples: escove os dentes e use o fio dental três vezes ao dia após todas as refeições, limpe a língua e use enxaguante bucal, de preferência sem álcool.

O diagnóstico no dentista

Infelizmente, muitas pessoas com mau hálito não o percebem. Isso ocorre porque as células do nariz se acostumam com os cheiros após algum tempo. Por isso, velhos truques como fazer concha com as mãos e depois respirar o ar não revelam o problema.

Diante disso, se está desconfiado que seu hálito não esteja normal, peça para que alguém de confiança lhe avise se está sentindo um odor desagradável. O mais importante, em todo caso, é procurar o profissional em caso de suspeita. Só o dentista saberá avaliar a boca e identificar de onde vem o problema. Assim como a melhor forma de tratá-lo.

Tem tratamento

O diagnóstico no consultório do dentista é feito primeiramente por meio de uma análise da boca do paciente e de seu histórico. Também podem ser realizados exames que medem a quantidade e a qualidade da saliva (sialometria), a quantidade de enxofre exalada na respiração, a presença de ronco e de apneia.

Entretanto, a realização de todos esses exames não substitui o mais importante: a checagem do hálito pelo olfato humano. Por isso, o cirurgião-dentista tem de avaliar, por meio de seu olfato, o hálito do paciente. Essa checagem é chamada teste organoléptico. Ainda hoje é considerado o método mais confiável e seguro.

Atualmente, os tratamentos vão desde a adoção de uma dieta balanceada até mesmo o uso de laserterapia e eletroterapia, técnicas que regeneram a função das glândulas salivares.

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