o que interessa é a sinceridade do arrependimento.

Certa vez uma amiga indagou acerca de quem estaria melhor perante Deus: um amigo em comum que cometia um pecado sexual considerado abominável pela Bíblia, mas que procurava ter uma vida correta em outras áreas, ou alguém que frequentasse uma igreja evangélica, mas que estava sempre fazendo “coi­sas erradas”.

Dessa pergunta é possível fazer uma reflexão genérica e bastante útil: o que é melhor, uma pessoa que não frequenta igreja, mas que, apesar de cometer alguns pecados, tem uma vida preponderantemente correta ou alguém que está sempre indo à igreja, porém continua fazendo “coisas erradas”?

Essa provocação me fez lembrar duas importantes figuras bíblicas: o rei Saul e o rei Davi. Ambos foram monarcas que governaram a nação de Israel por volta dos anos 1046 e 970 antes de Cristo.

Saul foi um rei que, apesar de ter começado bem seu reinado, acabou de maneira muito triste e bastante afastado de Deus. Sua trajetória foi a de uma pessoa impaciente, que não esperava para fazer as coisas do jeito certo, que descumpria aquilo que Deus mandava e que, quando resolvia obedecer, era de forma incompleta.

Além disso, quando confrontado sobre seus erros, Saul não se arrependia verdadeiramente, não procurava corrigir seus caminhos e estava mais preocupado com sua imagem perante as pessoas do que com sua situação perante o Altíssimo.

Os pecados cometidos pelo rei Saul se resumem basicamente na desobediência e no cumprimento parcial de determinadas ordens.

Por outro lado, Davi foi um rei que em determinado momento de sua história cometeu gravíssimas infrações às leis divinas, desrespeitou pelo menos três dos dez maiores mandamentos: cobiçou o que não lhe pertencia; cometeu adultério e assassinou. Além disso, agiu com deslealdade e hipocrisia com as pessoas que lhe eram fiéis e dedicavam a vida para a defesa do reino.

Durante cerca de um ano, ele ainda escondeu seus pecados e só os confessou quando abertamente confrontado por um profeta enviado por Deus.

O curioso é que, mesmo com esse terrível histórico, Davi é citado como um “homem segundo o coração de Deus” e até faz parte da genealogia de Jesus Cristo.

A pergunta é: como alguém que aparentemente pecou de modo bem mais grave foi aprovado por Deus e ainda foi qualificado como “segundo Seu coração”, enquanto o outro que pecou “mais leve” foi rejeitado? 

Qual o parâmetro utilizado?

A simples, porém, poderosa diferença entre os reis Davi e Saul está no arrependimento.

Enquanto o rei Saul literalmente matava os profetas e nunca demonstrou genuíno arrependimento por seus maus caminhos, o rei Davi tinha profunda devoção a Deus, sempre explicitando que sua única preocupação era com sua situação perante o Eterno, pouco se incomodando com as aparências externas. 

Depois de ter confessado, tudo o que Davi queria era se restaurar e voltar a ter comunhão com o Deus de Israel. Ele se expunha à presença do Altíssimo e tinha o coração sempre aberto para ser confrontado por seus representantes.

Essas duas histórias levam à seguinte conclusão: não importa a quantidade e/ou a gravidade dos pecados cometidos, o que interessa é a sinceridade do arrependimento.

E qual o caminho para iniciar um processo de sincero arrependimento? 

Algo fundamental é não se afastar da presença de Deus. É necessário estar exposto à Sua palavra e acessível àqueles que Ele possa enviar para confrontar o pecado.

Então, voltando ao questionamento inicial de minha amiga: creio que alguém que frequenta uma igreja, mas “continua fazendo coisa errada” está numa situação melhor do que alguém que, mesmo sendo igualmente amado por Deus, se mantém afastado d’Ele e persevera em algo que claramente contraria a Bíblia.

O fundamento está no fato de que o primeiro, isto é, aquele que busca a presença de Deus, tem mais chance de ser confrontado e de corrigir o rumo de sua vida.

Apesar disso, uma veemente ressalva: Jesus ensinou a não julgar quem quer que seja, por mais que aparente ser um “terrível, abominável e impenitente pecador”. 

E por que não julgar?

Simplesmente porque não se conhece o coração dos homens. Não se sabe nem mesmo o que se passa nos corações das pessoas que são mais próximas, como cônjuges, filhos, pais, amigos etc.

Talvez aquele que pareça ser um “irremediável pecador” esteja sendo trabalhado em seu coração pelo Espírito de Deus, pois Ele fala com os homens de diversas maneiras, não apenas por meio de Sua Palavra ou de profetas. 

Quem convence do pecado é Deus. O máximo a fa­zer e que é bastante importante é levar a pessoa ao entendimento sobre o erro de sua atitude e, talvez, fazê-la sentir remorso, vergonha etc. Entretanto, só o Espírito Santo é capaz de um convencimento que gere genuíno arrependimento.

Por outro lado, aquele que frequenta igreja e “continua fazendo coisas erradas” pode estar com a mentalidade tão anestesiada pelo pecado que nem sente mais peso ou arrependimento quando o comete. Pode ser que sinta apenas remorso e medo de ser descoberto. Nesse caso, a hipocrisia já se estabeleceu e, às vezes, nem mesmo décadas de frequência à igreja serão capazes de fazê-lo se arrepender.

Por isso, não se deve rotular as pessoas e tampouco julgá-las pela aparência externa.

Aqui é necessária mais uma ressalva. O fato de o conven­cimento do pecado ser obra de Deus não pode ser usado como desculpa para se afastar de Sua Presença, de Sua Palavra e de Seus profetas, porque quem O busca ativamente tem estatisticamente mais chances de encontrá-Lo.

Aqueles que fogem, ignoram, rejeitam ou desdenham da presença do Altíssimo também podem ser alcançados, porém isso é exceção, é milagre.

Por outro lado, quem busca Deus O encontra: “Vocês me buscarão e me acharão quando me buscarem de todo o coração” (Jeremias 29:13) e “Eu amo os que me amam; os que me procuram me acham” (Provérbios 8:17).

Então, como não sabemos em que momento chegará a hora de prestar contas ao Todo-Poderoso, torna-se sensato buscá-Lo imediatamente e corrigir a rota o quanto antes, pois há uma frase que não deixa de ecoar: “Louco! Esta noite lhe pedirão a sua alma” (Lucas 12:20).

Trecho extraído da obra Princípios para a vida.

Fonte Gospel Prime

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