Um dos sintomas mais característicos da Covid-19 é a perda do olfato e paladar. Tanto que, popularmente, este tem sido um indicativo certeiro de que há infecção da Sars-CoV-2 e não apenas uma doença respiratória como rinite e sinusite. No caso do coronavírus, a ausência desses sentidos é repentina, podendo ser parcial ou completa, em pelo menos 86% dos quadros leves, segundo pesquisas de saúde.

As alterações podem incluir gosto e cheiro menos sensíveis do que o normal ou alimentos com sabores estranhos e odores incomuns. E, quando se trata de pacientes em idades mais avançadas, os quadros podem ser um pouco mais complicados. “Já é recorrente que essas perdas somatossensoriais aconteçam em pacientes idosos. Além disso, a produção de saliva neste grupo também é reduzida por conta do processo natural de envelhecimento. O problema é que, no caso da contaminação pelo vírus, esta condição pode se agravar, interferindo diretamente na condição nutricional do paciente e prejudicando a imunidade – o que dificulta ainda mais sua recuperação”, aponta a doutora em ciência de alimentos e consultora do Comitê Umami, Hellen Maluly.

Ela ainda explica que a melhor maneira de se tentar uma recuperação ou uma melhora do paladar e do olfato é a expansão do contato com os cinco gostos básicos, com diferentes aromas e outras sensações, que podem ser apresentadas por meio de diferentes alimentos. “Assim, a exposição aos sentidos pode fazer com que nossas percepções estejam mais abertas para a diversidade de sabores encontrados em preparações culinárias de todo o mundo, e que possamos levar a vida com mais prazer”, finaliza a especialista.

Exercite com os alimentos certos

Antes de se aventurar numa espécie de ‘fisioterapia do olfato e paladar’ vale entender que gosto e aroma integram uma reação complexa do organismo, envolvendo células neurais. “Esse mecanismo começa com o nariz, que tem um receptor e leva a informação para o nosso cérebro. No entanto, ainda não sabemos como o coronavírus faz essa modificação”, explica a nutricionista Helen Lima. 

“É separar itens clássicos. Cheirar, por exemplo, hortelã, cravo ou canela e até alguns perfumes, em algum momento, diariamente. Para o paciente readaptar a sensação de reconhecimento dos sabores e aromas básicos”, completa Lima, ao falar do protocolo de Hopkins, que também cita limão, alho, café e eucalipto, utilizando duas ou quatro vezes ao dia, por até quatro meses. Ainda segundo a especialista, deve-se ficar atento se a pessoa for a responsável pelo momento de cozinhar, pois ela pode não ter como diferenciar a quantidade adequada de sabor em determinada receita, como no uso do sal.

Estudos provam a eficácia  

Para se ter uma ideia, uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, mostra a importância da variação dos alimentos para quem perdeu (total ou parcialmente) o paladar. Durante o estudo, pacientes do ambulatório, entre 60 e 97 anos, consumiram refeições com os cinco gostos básicos do paladar humano: sacarose (doce), cloreto de sódio (salgado), ácido cítrico (azedo), cafeína (amargo) e glutamato monossódico (umami). Os resultados mostraram que todo o grupo conseguiu detectar os gostos básicos. A maioria, 86%, conseguiu detectar o gosto umami; seguido do salgado (50%), azedo (45,7%), amargo (43,2) e doce (38,2), quando oferecidos na primeira vez.

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