Cidades do Norte e do Nordeste são as mais beneficiadas pelo auxílio emergencial de R$ 600, que foi prorrogado por mais dois meses pelo governo federal. De acordo com o economista Ecio Costa, professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que tem estudado os efeitos desse programa de socorro aos mais vulneráveis à pandemia do novo coronavírus, 30% dos municípios brasileiros devem ter ganhos superiores a 10% no Produto Interno Bruto (PIB) municipal em 2020.

O dado faz parte de um levantamento feito por Costa e pelo economista Marcelo Freire, gerente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de Pernambuco (SDEC-PE), no Estudo de Avaliação da Renda Básica Emergencial: Aspectos de Focalização e Eficácia do Programa, que está em fase de conclusão. Costa está atualizando os dados e estima que, com o aumento de três para cinco parcelas do benefício, o ganho médio nacional no PIB vai quase dobrar, passando de 1,5% para 2,46%.

Maranhão e Piauí são os estados com maior ganho, de 8,55% e de 7,92%, respectivamente. Já o Distrito Federal, que possui a maior renda per capita do país, ficou na lanterna com o menor impacto do auxílio emergencial no PIB, de 0,67%, conforme mostra o quadro ao lado. 

Os economistas estimam que um impacto de R$ 178,6 bilhões, sendo que o Norte e o Nordeste devem receber 38,28% desse montante. “O auxílio emergencial está chegando nas cidades mais pobres e gerando impactos positivos na economia dos municípios, apesar das fraudes que foram identificadas”, afirmou Costa, em entrevista ao Correio. 

As cidades com maior impacto estão no Pará, Maranhão e no Piauí, que registram taxas elevadas de beneficiários que participavam do Bolsa Família e viram seus rendimentos praticamente triplicarem, passando de uma média de R$ 191 para R$ 600 por mês. As mulheres chefes de família recebem R$ 1.200.

“Em média, 51% dos beneficiários do auxílio emergencial no Norte e Nordeste já estavam cadastrados no Bolsa Família. Logo, a renda média acabou crescendo em cidades dessas regiões, e isso tem ajudado os municípios a enfrentarem a crise, pois há um aumento no consumo, com mais dinheiro girando na economia”, explicou Costa. 

Entre os municípios com maiores ganhos com as cinco parcelas do benefício emergencial destacam-se Santarém, no Pará, Central do Maranhão e Fartura do Piauí, com ganhos de 27,22%, 26,70% e 25,88%, respectivamente. 

Apesar do impacto positivo da renda emergencial na economia, uma queda forte no PIB nacional deste ano não poderá ser evitada, admitiu Costa. Ele acredita que o tombo da economia do país deverá ficar próximo da mediana das estimativas do mercado coletadas pelo Banco Central semanalmente, que aponta para queda de 6,54%.

O estudo ainda mostra que um impacto de 1% da renda emergencial sobre o PIB implica melhora de 7,1% do IDH regional. “Além de ajudar a evitar uma queda no PIB, o auxílio também tem impacto positivo na redução da desigualdade”, pontuou o professor da UFPE. Ele chamou atenção para o fato de quase 3 milhões dos beneficiários não possuírem acesso às agências ou lotéricas para receberem os benefícios. 

Fim do prazo

Mesmo com o aumento do número de parcelas do auxílio emergencial, o prazo para a solicitação do benefício no site da Caixa Econômica Federal e no app Caixa Auxílio Emergencial acaba nesta quinta-feira. Podem solicitar o benefício maiores de 18 anos, ou mães com menos de 18, que estejam desempregadas ou exerçam atividade na condição de microempreendedor individual (MEI), contribuinte individual da Previdência Social, ou trabalhador informal. Além disso, a renda familiar mensal não pode ultrapassar três salários mínimos (R$ 3.135,00).