Mas o quadro é conhecido também como berne ou bicheira – Reprodução

Mas o quadro é conhecido também como berne ou bicheira – Reprodução

A descrição a seguir não é lá muito agradável, mas, acredite, choca bem menos do que as fotos da miíase, o nome científico do calcanhar de maracujá. Trata-se de uma infestação por larvas, geralmente da mosca varejeira que, aliás, pode acontecer em qualquer lugar do corpo.

Quando essa invasão atinge a parte de trás do pé, ganha o tal apelido de calcanhar de maracujá, porque os bichos, vistos de longe, assemelham-se à polpa com sementes dessa fruta só que de um jeito bem aflitivo. Mas o quadro é conhecido também como berne ou bicheira.

“Para isso ocorrer no calcanhar, é preciso que o local esteja ferido antes, seja por úlcera, corte ou lesão provocada por acidente”, explica Cipriano Ferreira, médico da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A mosca coloca os ovos no machucado ou eles são transportados por outro inseto. Em sete dias, os filhos viram larvas.

Se não combatidos, esses miniagressores atingem até cartilagens e músculos dos pés. Para impedir que o quadro chegue a esse estágio, os médicos retiram as larvas com uma pinça, além de dar antibióticos para combater a infecção secundária que quase sempre acompanha a enfermidade.

O que favorece o calcanhar de maracujá

Os odores desagradáveis fazem a mosca ver o machucado como ninho. Até por isso, a sujeira e a falta de saneamento básico estão por trás da doença mas não é só isso.

No caso dos diabéticos com complicações nos pés, por exemplo, a úlcera tem um “cheiro próprio” que atrai as moscas. O calor é outro financiador do calcanhar de maracujá. “No Brasil, que é um país tropical, a miíase é comum em regiões quentes e rurais”, destaca Ferreira.

Em outros locais do corpo

“A miíase, quando atinge o calcanhar, é secundária, porque surgiu a partir do ferimento. Mas ela também pode ser primária, quando a mosca os deposita em cima da pele”, diferencia Ferreira.

As partes do corpo que ficam descobertas, como braços, pernas e rosto, estão mais suscetíveis a esse tipo de bicheira, que não precisa de muito espaço para se instalar. “Eu já vi, por exemplo, um caso que começou no furinho do brinco da orelha de uma criança”, conta Cipriano.

Seja no calcanhar, seja em outra parte, o melhor jeito de combater essa infestação é se prevenir.

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Dena Santos

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